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Você não merece tudo, meu filho!

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Ultimamente ao observar os que estão prestes a se tornar gente grande, tenho a certeza de que estou diante da geração mais bem preparada que já tivemos e também da mais despreparada. Preparada, se falarmos das habilidades, já que essa é a geração mais tecnológica que tivemos e despreparada porque se desconhece a frustração, que nos apresenta a fragilidade da vida. Me deparo com pais que se desdobram para dar o melhor, sempre com o mesmo argumento: “Quero oferecer, tudo que eu não tive!”

Essa é uma geração que teve acesso a bons colégios, fluente em outras línguas, acesso as melhores tecnologias, viajou para o exterior e sem dúvidas tem muito mais do que os seus pais tiveram. Ao mesmo tempo, essa é a geração que acredita na vida fácil, ou que eles já nascem prontos pra tudo, necessitando apenas mostrar o seu talento para o mundo para chegar onde se almeja… E o resultado disso, na maioria das vezes, são crianças que tentam fazer da escola uma extensão de sua casa, onde a professora deve fazer o papel de mãe e além de ensinar, deve também educar. E que mais tarde também buscarão isso no mercado de trabalho e ao não encontrar sofrerão por sentir-se injustiçados! E mais uma vez me deparo com a questão, temos a geração mais preparada intelectualmente e a mais despreparada emocionalmente, porque foi ensinada a acreditar que merecia a todo custo a felicidade e não que essa seria buscada a partir da dor.

Essa é a classe que parece desprezar o esforço, prefere a genialidade. A grande arte está no seu “dom”, naquilo que já nasce pronto, ser esforçado tornou-se quase uma ofensa, dos menos favorecidos que não trazem consigo ao nascer o patrimônio da felicidade, que deve ser deixado pelos seus pais, responsáveis pela crença de que a felicidade é um direito e a frustração é o fracasso dos que não a conseguiram…

Daí eu te pergunto, se os pais ao decidirem ter filhos, tiverem por obrigação garantir a todo custo a felicidade do mesmo, pois esse é um “direito”, que tipo de relação está sendo imposta? Não caberia a estes filhos, fingir a felicidade, diante de todos os esforços que esses pais estão fazendo? Mas o que procede é que como não conseguem fingir, passam a exigir cada vez mais de tudo…

Infelizmente é isso que tenho visto no dia a dia, pais e filhos frustrados por 95110_f260não poder garantir a tão sonhada e citada felicidade, uma verdadeira angústia. Não seria então necessário, que os pais de hoje entendessem que a felicidade não é um direito e sim um reflexo de suas decisões? Que tão importante quanto o melhor colégio, ou melhor celular, é dizer: “Meu filho, você sempre poderá contar comigo, mas essa responsabilidade é sua! Ou “Também tenho medo, não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir!” Pois fingir que está sempre tudo bem, significa de certa forma dizer ao seu filho que você não confia nele para mostrar como é a vida real, ou que a vida será sempre fácil. Crescer, significa compreender que o “NÃO” é necessário e que o fato de se ter algumas faltas, não torna a vida menos valiosa e sim que ao longo do caminho aprendemos a apreciar os pequenos detalhes. Portanto eu compartilho com vocês um pensamento pessoal: meu filho, não irei te dar tudo, mas te darei a oportunidade de responder pelas suas próprias escolhas, pois só assim irei te ver crescer e amadurecer!

Willa Marques

Psicóloga que virou mãe, mãe que por acaso é psicóloga! Apaixonada pela psicologia, descobri um mundo totalmente novo diante da minha maternidade! Amo o que faço, mas sem dúvidas o meu melhor papel é ser Mãe do Eric!

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