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Setembro Amarelo e depressão pós parto

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Nathalia Munhoz

 

Meu nome é Nathalia Munhoz, tenho 30 anos. Sou pedagoga e psicanalista e tenho um pequeno de 4 meses.

Conheci a Gabi através de uma querida amiga colunista aqui do blog também (Mandi Ribas), e já estávamos “namorando” há algum tempo a ideia da minha coluna, que só aconteceu agora. Curioso como essa parceria com o Blog Tiago e Gabi (e Manuh!) aconteceu bem no mês de setembro. Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio. Não poderia haver momento mais oportuno para contar minha história e tentar alcançar a maior quantidade de mães em depressão pós parto, um mal que atinge aproximadamente 15% das mulheres (sem contar a enorme quantidade de mães que sofrem sozinhas e sequer se dão conta de sua condição depressiva) e que, muitas vezes, termina com o suicídio de uma jovem mãe que se vê sem saída pra lidar com tamanha dor.

 

Setembro Amarelo

 

Essa que vos fala, mesmo conhecendo a teoria e estudado anos sobre saúde psíquica não saiu impune dessa doença que “nos rouba de nós mesmas”. Eu tenho depressão pós parto desde quando o Theo tinha uns 10 dias. Eu, que sempre fui contraponto na vida, não passaria impune por mais essa minoria, infelizmente fui “escolhida”. Estou nadando contra toda a maré de glamourização que a maternidade traz. Eu sou tristeza quando os comerciais de TV me mostram que eu devo transbordar de felicidade e plenitude.

Não! Nenhuma mãe quer perder os primeiros momentos com o seu filho. Nenhuma mãe quer se sentir impossibilitada de estar feliz e conectada com seu bebê. Ela sabe que isso vai lhe custar caro. Uma mãe que sofre de depressão pós parto pensa que tem algum desvio de caráter e que merece todo o sofrimento que essa doença lhe imputa.

Por isso, ao invés de ser derrotada por essa doença tão debilitante física e emocionalmente, quero aproveitar a minha experiência pra poder ajudar a restabelecer a saúde psíquica de mães que sofrem caladas, muitas vezes com maridos que não as entendem e famílias que acham que tudo não passa de frescura. Minha querida amiga, sinta-se abraçada. Você não está sozinha e você não está enlouquecendo. Em minha coluna no blog, compartilharei alguns de meus sentimentos e pensamentos nesse momento tão fênix da minha vida. Sim, estou renascendo das cinzas. E quero ajudar também as minhas companheiras de jornada, que possam sentir um pouco de conforto nesse espaço e verem que não estão sozinhas.

 

Existo porque resisto

 

Não há nada melhor do que trocar experiências. Muito pouco se fala sobre os REAIS sentimentos de uma mãe que sofre de depressão pós parto. Após conversar com diversas GUERREIRAS que estão passando pelo mesmo problema, pude perceber que cada mulher sente essa doença de uma forma e com variados sintomas, que podem incluir pensamentos suicidas, pensamentos hostis para com o bebê, total letargia e até diminuição (ou total extinção) da capacidade de cuidar de si mesma e do bebê.

A depressão pós parto vem e te engole no momento em que você mais precisa estar disponível para cuidar de um pequeno ser que também está lutando pela vida, que também enfrenta sucessivas dificuldades nesse mundo terrestre. Enquanto isso, a TV vendendo a imagem de mães felizes, magras e sem olheiras.

Com a maternidade, venho entendendo cada vez mais o conceito de Sororidade, ou seja, a união das mulheres contra nosso sistema patriarcal, uma união genuína, de irmãs que se enxergam, se aceitam e se ajudam. Temos problemas variados, histórias diversas, mas estamos todas no mesmo barco. Por que não acolhemos as jovens mães? Por que massacrar essas mulheres com tamanha cobrança de como devem se sentir em relação a seus filhos, seus empregos, seus maridos? Por que tanta competição entre as mulheres? Por que tanto julgamento?

Você não é uma péssima mãe e não tem um desvio de caráter, repito para mim mesma o tempo todo. Sabe aquele amor incondicional pelo seu filho? Eu também sei, mas não consigo expressar. Eu sinto, mas não consigo externalizar. É isso que a depressão faz com a gente, tira nossa vontade de viver, nossa fé na vida e no mundo. E não existe nada mais dolorido do que o amor reprimido.

Nos próximos posts contarei um pouco mais sobre como estou lidando com essa experiência da depressão e os obstáculos que venho vencendo, DIA APÓS DIA. Mulher, não desista. Busque ajuda, não tenha medo de admitir seus sentimentos. Os julgamentos virão, mas eles vêm não importa o que a gente faça.

Mulheres que quiserem dar seu depoimento, ou que precisam de uma conversa sincera, um acolhimento, uma luz no fim do túnel, fiquem à vontade para comentar. Prometo que responderei uma a uma.

Cabeça erguida e avante!

Nathalia Munhoz

natmunhoz@gmail.com'

Nathalia Munhoz

7 Comentários

  1. Nossa, que demais esse post! Tive depressão pós parto, e me identifiquei com tudo que falou… com dois meses de vida, tive que parar de amamentar minha bebe pra tomar anti-depressivo, senti muita culpa, mas eu precisava estar bem pra minha filha estar bem também. É muito triste passar por isso, você é julgada pelos outros e isso dói demais… Mas sobrevivi minha pequena completa 1 ano e 4 meses hoje, e é a alegria da minha vida… Continuo com os anti depressivos, mas muito bem obrigado… Parabéns pela coragem Nathalia…. Parabéns pelo conteúdo Tiago e Gabi, adoro vocês! Sucesso…

  2. Parabéns pelo depoimento, vc é uma pessoa incrível e cheia de luz. Beijo!

  3. Bravo Nathalia!! Quanta coragem colocar pra fora os dragões da depressão….este é um lampejo para a cura interior como certeza…Minha admiração cresce por voce!!

  4. Muito bom!!! Um assunto pouco abordado, e só quem passa sabe o que sente, os medos, as culpas, a sensação de “estou enlouquecendo”, de “não nasci para ser mãe”. Sensação de fracasso e inutilidade.-

  5. Parabéns pela iniciativa! Eu não conheço ninguém que passa ou passou por essa situação, mas já ouvi falar muito em depressão pós parto e o quanto isso fere a relação mãe-pai-bebê. Fico feliz que pessoas como você abrem o coração para falar abertamente e cedem espaço àquelas que precisam desabafar. Desejo que seu objetivo seja alcançado e muitas mulheres e famílias sejam beneficiadas por ele. Abraço!

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