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O QUE SER QUANDO CRESCER?

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Sempre me perguntavam” o que eu queria ser quando crescer”. Nunca soube responder essa pergunta! Quanta coisa pra viver, ver, experimentar, aprender… como assim teria que escolher algo “para ser”??

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Acho que por isso minha resposta sempre foi relacionada a arte: bailarina, atriz, cantora…

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Não queria “ser” nada, eu já era! Por quê  ia querer ser algo diferente? Meu pai tocava piano e eu cantava ao seu lado. Minha mãe colocava música eu eu dançava de olhos fechados sentindo cada acorde. Decorava falas de filmes e fazia meu irmão ensaiar “teatrinho” comigo pra gente apresentar a noite pro papai e pra mamãe (meu publico mais fiel até hoje, rsrsrsrsrs).

Para mim era isso: eu ia crescer e viver fazendo arte. Simples assim.

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Só não compreendia que a vida adulta não é tão simples assim!

Cresci acreditando que estudar, me especializar, entender minha profissão seria meu diferencial. Que estaria mais preparada para o tal mercado de trabalho. Achei que eu nunca fosse parar de fazer teatro. Afinal eu sabia fazer aquilo. Por mais que cada personagem fosse uma nova descoberta, eu não tinha medo! Me jogava, me entregava de olhos fechados!

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Mas não é bem assim que o “pito toca”. Viver de arte nesse País não enche barriga, muito menos sustenta uma família. Ser ator não é o suficiente… temos que aprender a ser de tudo um pouco: produtor, cenógrafo, iluminador, sonoplasta, figurinista, roteirista e até patrocinador, hahahahahahahahahaha

Depois de mais de 15 espetáculos em cartaz me vi no meu espetáculo mais desafiador: a maternidade!

E quanta coisa mudou…

O ritmo parece o mesmo! Também tenho que ser de tudo um pouco: nutricionista, médica, meteorologista, cozinheira, faxineira, professora e definitivamente patrocinadora, kkkkkkkk

Mas o que mais mudou foi a importância que passei a dar as coisas. Hoje quando recebo convites para fazer uma peça, tenho vontade, mas penso se realmente vale a pena. Eu sei o trabalho que dá e a entrega que vou precisar ter e me pergunto se estou pronta pra esse tipo de entrega no momento.

Quando peso na balança, a resposta ainda é não… Já estou entregue ao trabalho mais desafiador que um ser humano pode enfrentar.

Isso não quer dizer que não pretendo voltar aos palcos!! Mas acho que ainda não está na hora! Quero estar em casa quando minha filha chega da escola. Quero colocá-la para dormir, quero passar o final de semana só com ela! Quero aproveitar esses 1000 dias com toda a força, me jogando de cabeça e me entregando de uma forma que só o teatro pôde me ensinar!

Sim, preciso trabalhar (se teatro não enche barriga, imagina a maternidade, rsrsrsrsrs), mas agora preciso de trabalhos que exijam menos disponibilidade. Mais importante do que “o que eu queria ser quando crescer” é ver minha filha crescer e participar desse desenvolvimento. Hoje é isso que me motiva e não me sinto menos mulher, ou menos profissional por causa disso! A vida é feita de escolhas, por isso temos que tomar cuidado… para cada escolha existe uma responsabilidade que não depende de ninguém além de nós mesmos!

Na verdade eu acho que eu sempre quis ser um espirito livre. Sempre quis agir pela emoção. Sempre quis viver cada momento. Sempre me joguei pra beleza da vida, muitas vezes caí e me machuquei, mas me levantei e continuei todas as vezes.

Está valendo a pena?

Olha esse sorriso:

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Responde?

Gabi

Bacharel em Teatro, Licenciada em Teatro-Educação e Pós-Graduada em Arte Integrativa, encontrei na maternidade as respostas para as minhas inquietações e angustias! A FAMÍLIA vai ser sempre meu maior aprendizado!

9 Comentários

  1. Poxa Gabi, que texto lindo!
    Meu sonho é construir minha família, nem sou casada, nem namorado tenho ainda, mas isso é algo latente em mim, esse desejo por ser mãe, cuidar da família e tudo mais.
    E algo muito firme na minha mente é querer participar do crescimento dos meus filhos quando tiver, fazer uma pausa no trabalho, não para me anular, mas por escolha, exatamente como você colocou. Eu aplaudo pessoas que fazem essa escolha – portanto, te aplaudo 😀 – porque nesse mundo tão egoísta, hedonista, são raras pessoas com esse desprendimento, por escolha, mesmo diante de uma sociedade que te cobra o sucesso que eles consideram como tal.
    Sucesso é poder brincar com os filhos, é buscá-los na escola, dar a primeira papinha, ver os primeiros passinhos, acompanhar cada aprendizado. Isso é sucesso.
    Um beijo! 🙂

  2. Aai gabi, adoro tanto vcs. São uma grande fonte de inspiração e alegria. Que posto lindo. Parabéns pela história e pela família. E essa Manuhzinha é uma safadinha! :). <3

  3. Amei seu texto Gabi! Também fiz a mesma coisa. Parei minha vida profissional e comecei a fazer algo que me permitisse estar perto dos meus filhos. Hoje faço sling pra vender. Trabalho em casa, perto dos meus pimpolhos.

  4. Minha mãe fez da mesma forma que vc. Deu uma pausa na vida profissional e se doou completamente para a gente. Ela é uma grande mãe, e vc tbmmmm

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